Maria Inês Rodrigues – Parte de Mim

A Galeria Gravura apresenta dia 10 de abril a pré-estreia do documentário “Parte de Mim”, curta-metragem sobre a trajetória da artista visual Maria Inês Rodrigues, em conjunto com a abertura de uma retrospectiva pessoal de sua obra.

 

Parte de Mim – Documentário

O documentário curta-metragem Parte de Mim é um retrato intimista sobre a personalidade da artista visual Maria Inês Rodrigues e sua trajetória. Por meio de uma costura sutil entre o registro de confissões e realizações estéticas, o filme convida o espectador ao ateliê da artista para uma conversa íntima e espontânea, que o leva a sentir-se cúmplice de seu processo criativo. Como quem revela confidências, Maria Inês discorre sobre sua visão de arte e de mundo, sua trajetória, suas paixões e anseios e suas concepções de gravura, desenho e pintura, em meio ao exercício concreto destas atividades.

A narrativa circula por dualidades dinâmicas: razão e emoção, introspecção e expressão, conteúdo e continente. Não por acaso a citação do poema Traduzir-se, de Ferreira Gullar, na voz da própria artista, traduz a síntese de suas indagações. A fotografia do documentário, por sua vez, procura perseguir a voz narrativa autobiográfica: a câmera acompanha a artista e orbita à sua volta, gerando a sensação de intimidade confidente, e por meio de fusões e transições sua montagem aproxima a imagem do discurso, e vice-versa. A opção do diretor pela luz natural e pela câmera na mão, preservando o cenário real do cotidiano da protagonista, incrementa a sensação de proximidade e veracidade do curta, pensado para a linguagem contemporânea das redes virtuais. A artista, por sua vez, também assina a co-autoria de roteiro e produção, consolidando a concepção colaborativa do filme, que busca lançar luz sobre o processo de criação através da ótica do artista em sua permanente necessidade de expressão. Direção de Claudio Santana.

 

Parte de Mim – Retrospectiva

A exposição retrospectiva de Maria Inês Rodrigues traz ao público um recorte particular e afetivo da obra da artista, como um pequeno panorama de suas gravuras e pinturas. Para a artista, o processo criativo parte do inconsciente e flui para o simbolismo das imagens: “Fui e sou apaixonada por tudo que desvenda a alma humana. É natural que, sendo artista plástica, esse conteúdo surja em minha obra. Encontro na poesia o enigma do inconsciente representado na minha expressão plástica gráfica.”

A figura humana é de fato o principal foco do trabalho de Maria Inês, porém reinterpretada em diversas versões de estranhos seres que remetem ao realismo fantástico, convivas de algum circo imemorial, vagos anjos, mulheres de formas voluptuosas e enigmáticas, sempre interessantes e imprevistos. Como disse Erico Veríssimo, figuras de um curioso mundo que ora nos parece ingênuo, ora diabólico, imagens, ídolos, amuletos, templos, pedras de uma civilização pré-colombiana ou pré-incaica por ela própria inventada.

“Na relação entre arte e tempo, parece não haver uma sincronia universal. Fluímos em redemoinhos sem uma noção exata de presente, passado e futuro. É nesse tempo que encontro meu espaço e recorto a retrospectiva apresentada na Galeria Gravura”, conclui a artista.

Curadoria de Claudio Santana.

 

O quê: Pré-estreia do documentário Parte de Mim, sobre a obra de Maria Inês Rodrigues e abertura da exposição retrospectiva da artista.

Quando: Quarta-feira, 10 de abril, a partir das 19h.

Onde: Galeria Gravura – Rua Coronel Corte Real, 647 – Porto Alegre

Atelier Coletivo e Andréa Graiz

Fotos de Andréa Graiz e exposição do VW Atelier Coletivo são as atrações da Gravura no mês de agosto

 

As duas exposições que abrem na Gravura Galeria de Arte no dia 08 de agosto mostram como a percepção pode alterar o resultado. “Naturalmente” mostrará como a fotojornalista Andréa Graiz apresenta detalhes da natureza, que muitas vezes passam despercebidos diante das pessoas, já a “Infinito Recomeçar” traz a etapa de transição que o VW Atelier Coletivo está passando.

Andréa Graiz faz seus registros em seu tempo livre, em viagens de férias e, também, no tempo em que morou no Canadá. As imagens variam entre grandes cenários naturais e pequenos detalhes de lugares pelo qual ela passou. A exposição “Naturalmente” apresentará 21 obras da fotojornalista, em sete tamanhos diferentes.

A “Infinito Recomeçar” é uma exposição do VW Atelier Coletivo, que era conhecido como Atelier Estággio. Sob direção de Liane Paiva, o atelier passou por uma transformação após o recente falecimento da artista visual Vera Wildner, fundadora e orientadora. O grupo do atelier optou por continuar suas atividades e agora assumem uma postura mais autônoma e madura. O título da exposição foi escolhido para representar esta etapa de transição e apresentar o resultado de suas novas produções. A exposição contém obras das 11 artistas, que desenvolvem suas práticas artísticas como processos únicos dentro do universo de cada uma, através da linguagem da pintura e com técnicas diversas.

Artistas participantes: Andréia Moll, Ainez Aranha Rosito, Angela Ognibeni, Ana Mähler, Clara Serrano, Leda Zimmermann, Leonor Pinto Moura, Lucy Copstein, Mariana Geiss Sperotto, Maria do Horto Bastos Kuhn e Vitoria Davoglio Ribas. Também participa uma obra de Vera Wildner como uma homenagem e também uma forma de manter viva a memória da grande artista que foi.

As duas exposições inauguram no dia 08 de agosto e encerram no dia 1º de setembro.

 

Serviço

Abertura “Naturalmente” e “Infinito Recomeçar”

Data: 08 de agosto de 2018

Horário: 19h

Local: Gravura Galeria de Arte (Rua Corte Real, 647)

Visitação: de 08 de agosto a 1º de setembro

IN PROCESS

Exposição coletiva IN PROCESS

 

Galeria Gravura, Corali Cardoso e Rodrigo Corrêa há seis anos produzindo  exposições com temática pouco comum, este ano subvertem mais uma vez a ordem natural das coisas com a exposição coletiva IN PROCESS. Uma exposição não acabada, não colocada de maneira usual. IN PROCESS é uma exposição que acontecera ao contrário. A exposição abre em um cenário onde cada artista apresenta uma tela já executada anteriormente, ocupando as duas salas da galeria, postas cuidadosamente no chão, como em um atelier comum. Nessa noite, alguns artistas com interesse, escolhidos  ou sorteados estarão pintando diante do público as telas que realmente participarão da exposição. Nos 30 dias seguintes, todos os artistas, escalonadamente, em horários variados, combinado anteriormente, convenientemente a todos, pintarão suas obras na Galeria Gravura em transmissão ao vivo pelas redes sociais. Neste momento, o artista terá a oportunidade de interagir com o público da Galeria Gravura aproximando-se e interagindo com todos. Ao final dos 30 dias de execução, cada artista apresentará sua obra concluída. As obras expostas no chão, que fazem o cenário, são retiradas e as obras executadas são colocadas nas paredes como em uma exposição usual. Acontece então, não uma vernissagem, mais sim uma “finissagem” numa única noite. Ou seja, uma exposição ao contrário. IN PROCESS trata do ato da execução, do processo criativo, das dúvidas e das certezas na execução da obra. O ato, o momento, toma o lugar do resultado. A obra de arte assistida no exato momento de sua criação.

 

Art South Brazil in Miami

Galeria de arte porto alegrense leva exposição coletiva para Miami

 

A Galeria Gravura inaugura a exposição “Art South Brazil in Miami”. O coquetel de abertura ocorre no dia 1º de fevereiro, a partir das 19h, e a exposição ficará disponível para visitação até o dia 14 de fevereiro, no espaço Art & Design Gallery, localizado em Miami, nos Estados Unidos. A galeria de Miami –  Art & Design Gallery – possui um portfólio com artistas de diferentes partes do mundo, e atua como um catalisador entre o autor, seu trabalho e o mercado.

 

Para compor a exposição, a Gravura chamou os principais integrantes de seu acervo. Alguns já consagrados e outros mais jovens, porém todos qualificados para dar este passo na América do Norte. A iniciativa de internacionalização foi uma consequência natural do esforço contínuo da Galeria em outras atividades, como sua extensão na praia de Atlântida, onde se afirmou no calendário cultural, além de sua escola de artes que conta com cursos e oficinas ministrados por professores renomados. Assim, a Galeria Gravura dá um importante passo para a inserção de sua imagem e de seus artistas em um ambiente globalizado e referencial na indústria criativa e no mercado de arte.

 

A exposição internacional será constituída exclusivamente por pinturas. Os artistas selecionados para exibir suas obras foram: Ana Mähler Angela, Zaffari Benjamin Rothstein, Britto Velho, Clara Pechansky, Dirce Fett, Inês Benetti, Ivone Rabelo, Leticia Demeuse, Lorena Steiner, Marcelo Hübner, Maria Inês Rodrigues, Mariana Sperotto, Marion Lunke, Marisú Buquet, Nara B. Sirotsky, Ondina Pozoco, Rosamaria Feltrin, Roseli Deon, Suzi Etchepare e Tity Pons.

A visitação poderá ser feita entre os dias 2 e 14 fevereiro, de segunda à sábado, das 10 horas até as 18 horas, e a entrada é franca.

 

Serviço:

Evento: Art South Brazil in Miami

Onde: 8650 Biscayne Blvd #2, Miami, FL 33138, USA.

Visitação: Dia 2 a 14 de fevereiro, de segunda à sábado, das 10 às 18 horas.

Site: www.gravuragaleria.com.br/ www.adgallery.miami

Telefone: (51) 3333.1946

 

 

 

 

Coletiva Check In com arte no Radisson Hotel

Gravura Galeria de Arte e Hotel Radisson Porto Alegre promovem nova edição do Check-in com Arte

 

A partir do dia 13 de dezembro de 2017, com coquetel de abertura marcada para às 19h, a Gravura Galeria de Arte e o Hotel Radisson Porto Alegre apresentam a segunda edição do projeto “Check-in com Arte”. O intuito é que exposições coletivas dos artistas representados pela galeria sejam levadas ao lobby e mezanino do hotel, para que os hóspedes e visitantes possam conhecer o trabalho de grandes artistas gaúchos.

 

Nesta edição serão apresentadas obras dos artistas: Alenyr Ávila, Arminda Lopes, Cassio Raabe, Cristina Leal, Elisa Zattera, Lorena Steiner, Lou Borghetti, Magna Sperb, Marcelo Hübner, Maria Luiza Cangeri, Paulo Amaral, Rita Gil, Rosali Plentz, Susan Mendes, Victor Hugo e Vitor Senger.

 

Telas, esculturas e pinturas farão parte da exposição, que mostrará uma grande variedade de técnicas e individualidades de cada artista. Todas as obras expostas no “Check-in com Arte” poderão ser comercializadas. O coquetel de abertura ficará por conta do maravilhoso restaurante Don Pallesi. O horário de visitação é diariamente das 8h às 20h. Mais informações pelo e-mail gravura@gravuragaleria.com.br ou pelos fones (51)3333-1946 e (51)99666-3972.

 

“Check-in com Arte”

Data: A partir de 13 de dezembro de 2017.

Coquetel de Abertura: 13 de dezembro de 2017, às 19h.

Visitação: Diariamente, das 8h às 20h.

Local: Hotel Radisson Porto Alegre (Av. Coronel Lucas de Oliveira, 995).

 

Ivone Rabelo

Ivone Rabelo
Galeria Gravura 05 a 29 de abril de 2017

Quem nunca contemplou um jardim?
Os Jardins são pequenos oásis em meio a selva de pedras das grandes cidades e essenciais para o contato do homem com a natureza. Na história da arte, foram representados em diversas épocas e estilos. No impressionismo, Claude Monet cultivou e pintou seus jardins e hoje podem ser visitados e admirados em seus quadros, uma memória que se perpetua.
Ivone Rabelo, bióloga de formação, traz consigo a memória dos jardins bem cuidados pela mãe, irmãs e vizinhos na pequena Paciência, localidade do município de Taquara, onde morava no tempo de infância. Seu pai colhia, todas as manhãs, uma flor de Jasmin que cheirava demoradamente antes de colocar no bolso do casaco a caminho do trabalho. Esta memória afetiva impulsionou e direcionou as escolhas da artista para desenvolver seu processo criativo.
Hoje caminha pela calçada do seu bairro e coleta folhas dos jardins de seus vizinhos na cidade grande. Estas são folhas de flecheras, coqueirinhos e palmeirinhas que serviram de inspiração para suas pinturas.
Ao iniciar uma pintura desta série, a artista deita a tela no chão, sobrepõe as folhas e borrifa uma tinta bem diluída conduzindo a água e criando caminhos no espaço pictórico. Busca cobrir o tecido criando manchas na primeira camada e aos poucos sobrepõe com mais folhas e mais tinta, vai aproveitando os espaços vazios e cobrindo algumas partes e deixando aparecer outras que estão no último plano gerando profundidade na composição até encontrar a harmonia e a estética que tanto lhe interessa. Cada quadro tem uma gama de cores previamente determinada e o conjunto destes apresenta um jardim no interior da galeria.
O Jardins da Memória de Ivone são uma consequência da sua admiração pela natureza e uma forma se conectar com ela e perpetuar lembranças gostosas do tempo de menina.

Clara Pechansky -evento paralelo Kombina

Clara Pechansky

REVISÕES DO ENIGMA
Obras recentes
Abertura – quinta-feira, 10 de novembro de 2016, às 19h30
Visitação de 10 de novembro a 3 de dezembro de 2016
Gravura Galeria de Porto Alegre
Rua Corte Real, 647
As obras expostas estarão à venda, e parte da renda será destinada ao LAR DA CRIANÇA ANNE FRANK.
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ATIVIDADES PARALELAS À EXPOSIÇÃO “REVISÕES DO ENIGMA” na Gravura Galeria:
Dia 26, sábado, às 11 horas – KombinaFest:
A obra e a infância de Clara Pechansky são retratadas no livro “Clara, Clarita, Ita”. Esse livro acompanha o minimuseu da Kombina que desde 2015 circula pelo Estado mostrando de forma interativa as imagens criadas pela artista.
Uma promoção especial do Projeto Kombina está programada por Clara Pechansky e Christina Dias para o sábado dia 26 de novembro, às 11 horas: as três Kombinas vão estacionar na Corte Real, 647, endereço da GRAVURA GALERIA DE PORTO ALEGRE com seus animadores, livros, brinquedos e curiosidades. A atividade se destina a crianças e adultos, e visa despertar o lado lúdico dos adultos, enquanto explora o brinquedo e a literatura com as crianças. Obras de Clara estarão no cenário da atividade, bem como o livro/jogo “Clara, Clarita, Ita”, escrito por Christina Dias.
Dia 29, terça-feira, às 19h30 – Projeções do documentário “Clarita”
Dirigido por Flávia Seligman, o filme será projetado no dia 29 de novembro, às 19h30min, na Gravura Galeria de Arte, com comentários da artista e de participantes do filme. Para o público haverá um sorteio de duas gravuras intituladas “Tempo”, imagem original especialmente criada pela artista para comemorar os 20 anos da galeria.
Sorteio de gravuras
“Tempo” , imagem original criada por Clara Pechansky, é uma serigrafia com tiragem de 60 exemplares, cada uma colorida à mão, de maneira a que nenhuma cópia seja igual à outra.
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REVISANDO O ENIGMA
Encerrando as comemorações de seus 60 anos de trajetória, e após o sucesso de sua retrospectiva “REMEMÓRIAS” no Margs, Clara Pechansky realiza uma nova exposição, desta vez na Gravura Galeria de Arte de Porto Alegre.
Celebrando 20 anos de existência, a galeria vai acolher uma colorida mostra de obras recentes, denominada “REVISÕES DO ENIGMA”, com abertura quinta-feira, dia 10 de novembro, às 19h30.
A artista vai ocupar as duas salas da galeria com uma série de obras inéditas, onde revisita seus personagens, mas os apresenta em novas configurações, numa pintura que explode em cores. Percorrendo a exposição, o visitante vai poder constatar que a artista vai do rigor à ternura, em obras alegóricas e instigantes.
Clara Pechansky mostra nesta exposição uma sequência de trabalhos que têm como ponto de partida o General, um dos personagens/ícones da artista, e vai se desenvolvendo até chegar à Dama, com seu cortejo de músicos e mágicos.
AS MARCAS DO DESENHO
Clara Pechansky produziu desenhos, gravuras e pinturas durante os anos de 2015 e 2016. Ela faz questão de deixar visíveis as linhas originais do desenho, de forma que o observador possa acompanhar o pensamento da artista, desde o esboço inicial até o colorido final. As várias camadas de tinta acrílica e pastel seco não cobrem o desenho original: ao contrário, permitem que ele transpareça. São desenhos/pinturas ou são pinturas/desenhos, saturados de amarelos e vermelhos, com ênfase em figuras enigmáticas, no sonho, na fantasia e na passagem do tempo.
A GRANDE AVENTURA DO OLHAR
As obras desta coleção têm os sugestivos nomes de “Enigma”, “Mistério”, “Segredo”, “Aventura”. É como se a artista convidasse o visitante a mergulhar no grande universo de cores e traços que compõe a sua obra.
Além de telas, Clara apresenta desenhos e colagens criados a partir de 2015. Segundo as curadoras Paula Ramos e Joana Bosak, “as colagens recentes recuperam o que habitou os olhos e as percepções da jovem Clarita, na Pelotas natal. Percorrendo os corredores das lojas de tecidos mantidas pelo pai e pelo avô, Clara observou, tocou e aproximou padronagens, cores e texturas. São elas, novamente, que esperam a aderência às memórias revoltas que a obra retorna e descarrega, absorvidas, depuradas e devolvidas, generosamente, através do desenho”.
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As obras expostas estarão á venda, e parte da renda será destinada ao LAR DA CRIANÇA ANNE FRANK.

 

Denise Giacomini e Susan Mendes

RAÍZES DA PEDRA

 Fui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão –  Antes que das coisas celestiais.

(Manoel de Barros, do Livro Retrato do Artista Quando Coisa)

Assim, sem comentários, Van Gogh escreveu:“Provavelmente, a vida é redonda.” (Gaston Bachelard, A Poética do Espaço)

Não há como falar da arte de Denise Giacomoni sem antes falar dela própria. Quem a conhece sabe de sua estreita ligação com a terra e tudo que a circunda. Importa muito também a questão geográfica. Por mais que circunde o mundo, sempre voltará às raízes; a sua terra natal.

O sitio é o seu laboratório natural, lugar que investiga tudo o que nele encontra. Observa e tenta compreender a lógica da natureza. Ali, se transforma em catadora de formas. Olha para a terra e vê raízes expostas, as enxerga como veias em que circulam o sangue da natureza. Junto das raízes, as pedras, a água, os  galhos, as folhas secas, as penas de aves… Ela usufrui de cada minuto, de cada coisa que toca. Tal qual a criança encantada com os novos brinquedos.

Denise segue traçando e colecionando seu inventário pessoal. O lúdico habita  nela. Em um verso, Paul Claudel diz:“Quem mordeu a terra, conserva-lhe o gosto entre os dentes.”  (Gaston Bachelar, A Terra e os Devaneios do Repouso)

Não é de hoje que ela pinta. Também já experimentou outras formas de expressão plástica. Mas, elegeu a pintura.

Nesta exposição, Denise nos mostra pinturas abstratas e uma forma que se repete. Desenho este que nos remete a forma mais elementar da natureza: o círculo. O redondo com todas as suas possibilidades e variações de desenho e cor.

As pedras, as raízes, as árvores, o corpo humano, o globo terrestre… Tudo é redondo. A natureza não produz quinas. Tudo nela é circular. Até mesmo o menor grão de areia que, ampliado, mostra sua forma arredondada. A pedra nasceu para ser selvagem, solta como seixos ou encravada em montanhas.

As pinturas desta mostra recriam a natureza circular. Também trazem cores leves, com a predominância do branco, o qual, aliás, contêm todas as cores e traz beleza a este conjunto de obras. Brindemos com a Denise por esse momento tão especial.

 

… E, na paisagem arredondada, tudo parece repousar.(Gaston Bachelard, A Poética Do Espaço)

 

Julho de 2015

Elizethe Lou Borghetti

Artista Plástica

 

 

Perfeita Imperfeição

 

Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos se a tivéssemos. O perfeito é o desumano porque o humano é imperfeito. (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego)

 

Susan Mendes usou, para o título de sua primeira exposição individual, duas palavras que se opõem na forma e no significado. Mas, na arte os significados são mais subjetivos. Nem sempre o que é perfeito é belo e, nem sempre, o que é imperfeito é feio. Nas suas figuras femininas, Susan trabalha a forma da mulher real, com seus volumes e curvas. Mas é preciso considerar, antes de qualquer coisa, que estamos falando de pintura. Botero em uma de suas entrevistas proclamou que não pinto só figuras volumosas. O que de fato me interessa é o volume e são formas sensuais. Não estou aqui fazendo análises psicológicas das minhas figuras volumosas. Quero falar de pintura, da boa pintura e de seus desafios.

Susan desenha de modo incansável. Usa vários tipos de materiais. Faz colagens e incisões sobre papelão. Este, um tipo de papel resistente com miolo ondulado que um dia serviu para caixas de mercadorias e, agora, ganha novo e nobre uso. Recolhe fardos desta sucata nas ruas, não apenas com a intenção  de reciclar, mas porque percebe força neste suporte. Força esta que aparece nas suas imagens.

Quando olho para o trabalho da Susan, pergunto-me: — Estamos diante de desenhos, de pinturas ou, quem sabe, de esculturas? Estamos acostumados a classificar e a conceituar as coisas de modo lógico, mas nem sempre é tão fácil. Penso que, neste caso, temos um pouco de cada. Como disse Mário Quintana: Por que prender a vida em conceitos e normas? / O Belo e o Feio.., o Bom e o Mau… Dor e Prazer… / Tudo, afinal, são formas / E não degraus do Ser!

Gosto de observar a profunda conexão e concentração no seu fazer de “artífice”. Susan pensa e faz. Traz em seus trabalhos a beleza das linhas que formam desenhos precisos, a suavidade da pintura, quase como aquarela, mesmo quando o fundo é preto ou vermelho intenso. Essas mulheres volumosas parecem querer sair da tela. Elas se agigantam feito esculturas em busca dos pés. Susan tem o olhar voltado para as monumentais figuras de Michelangelo.

Olhando atentamente,  vemos ainda outra dicotomia, para além do perfeito imperfeito. Há, nestas mulheres, certo recato e silêncio, mas também a ousadia de musas. Uma voz que ecoa segura e sólida,  sensual e firme. Suas figuras chegam antes do nosso olhar encantado.

Nesta árdua tarefa de escrever sobre o universo criativo e tão particular, termino com um trecho de um dos meus livros prediletos: As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis  e dizíveis quanto se nos pretendia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos  é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa efêmera. (Rainer Maria Rilke; Cartas a um jovem poeta)

Brindemos com Susan neste momento de pura emoção!

 

Elizethe Lou Borghetti

Artista Plástica

Victor Hugo Porto