Gravura Galeria de Arte abre coletiva “50 tons de rosa”, que mostra como uma cor pode revelar sentidos, relações e processos

Exposição, com trabalhos criados em diversas técnicas por 50 artistas visuais, tem curadoria de André Venzon

A Gravura Galeria de Arte inaugura na quarta-feira (7/10), às 18h30, a coletiva “50 tons de rosa”, que propõe uma travessia poética pela cor rosa e seus tons, em diálogo com diferentes materiais e linguagens. Participam da mostra 50 artistas (o mesmo número de tons rosa do título), sob a curadoria de André Venzon. A exposição insere-se na comemoração dos 30 anos de Gravura, cujo slogan é “O tempo passa, a arte fica”.

A mostra, aliás, celebra, de forma especial, o aniversário de 50 anos de vida de Venzon, que atua nas artes há 30, ou seja, desde 1996, como artista visual, curador e gestor cultural. Ele é Mestre em Poéticas Visuais pelo IA-UFRGS, onde também se graduou, e  especialista em Gestão e Políticas Culturais pela Universidade de Girona (Espanha).

“Com uma proposta marcada pela reflexão sobre ‘o outro como cor’ e ‘a cor como presença’, a exposição convida o público a perceber como uma cor pode revelar relações, sentidos e processos”, diz Venzon. “Partindo do desafio de trabalhar a partir de uma cor-tema – o rosa -, os trabalhos assumem múltiplas possibilidades de criação, expressas em pintura, desenho, gravura, fotografia, colagem, escultura, cerâmica, entre outras técnicas artísticas”, acrescenta ele.

O rosa de Venzon, como todos que conhecem sua obra sabem, vem do tapume. “É ele que traz a cor característica do meu trabalho. Ele acende a curiosidade, orienta o meu caminho nas artes e abre diante de mim uma coleção de lugares, pessoas e objetos. Gosto da ideia de que o próprio material carregue significado, um significado emotivo, que revela o processo e a relação poética entre o tapume e eu. Agora, essa relação ganha corpo e estabelece-se por meio da cor, entre mim e os artistas”, constata.

De acordo com ele, as 50 obras da exposição expressam a capacidade e a energia artísticas inesgotáveis de seus criadores. “Elas abrem as poéticas e me acolhem. Abrem os olhos para o rosa e para um modo de olhar o mundo através da cor. O que a cor provoca em nós. O que ela nos permite ver através dela. Esse tipo de visão cria novas possibilidades para perceber as coisas”, declara o curador.

Artistas participantes

 

Adriana Giora • Adriana Leiria • Alexandra Eckert • Ana Aita • Anemarie Biasi • Andréa Brächer • Arminda Lopes • Barbara Lopes • Beto Freitas • Bia Dorfman • Bia Macêdo • Bianca Santini • Carlos Trevi • Celma Paese • Cláudia Helena Klein • Daiana Azambuja • Dennise Iserhard • Eda Lani Fabris • Edu Devens • Francis Silva • Gladis Coifman • Isabel Ferreira • Isabel Marroni • Ita Stockinger • Janice Martins Appel • João Augusto Santos • Juliana de Jesus • Jussara Moreira • Leda Zimmermann • Lu Gaudenzi • Lurdi Blauth • Lyra dos Anjos • Magna Sperb • Marcia Baroni • Marcia Rosa • Maria do Horto Kuhn • Mariella Horianskï • Marilia Fayh • Mery Bavia • Milena Julianno • Milene Gensas • Neca Sparta • Renata Galbinski • Ruth Johnson-Greco • Sandra Gonçalves • Sandra Kravetz • Sol Inocenti • Susana Luft • Vera Reichert • Walter Karwatzki • Zetti Neuhaus

Gravura inaugura coletiva “Entre Matrizes” e individual “Memórias de Chalé”

A primeira mostra reúne Anico Herskovits, Miriam Tolpolar, Suzel Neubarth e Fernanda Soares; a segunda é de autoria de Flora Zeltzer

A Gravura Galeria de Arte abre duas exposições no dia 10 de setembro (quinta-feira), das 18h30 às 20h30: a coletiva “Entre Matrizes – Impressões Compartilhadas”, que congrega as gravadoras Anico Herskovits, Miriam Tolpolar, Suzel Neubarth e Fernanda Soares; e a individual “Memória de Chalé”, da artista visual Flora Zeltzer.

Anico, Miriam, Suzel e Fernanda desenvolveram suas poéticas e passaram a integrar uma rede de saberes em constante transformação. Além da técnica, aprendizagens e experiências do ofício, elas compartilham amizade e parceria há mais de 30 anos.

Na exposição, apresentam litografias, xilogravuras e gravuras em metal, na sala Branca. “Cada impressão preserva a singularidade de quem a produz e também revela a força criativa que nasce da convivência entre mulheres matrizes”, ressaltam.

Anico assina seis xilogravuras e quatro litografias. Miriam mostra uma série nova e inédita de litografias, intitulada “Estou noite”. No conjunto de imagens de mulheres que criou, utiliza uma técnica e procedimentos particulares. Um deles é o uso de pó de ouro sobre a imagem impressa em um papel preto.

As mulheres retratadas “são carregadas de violência, com bocas costuradas e olhares marcados, mas também oníricas e por vezes eróticas com antúrios brotando de seus corpos”, descreve a artista. Miriam também exibe uma série de mulheres impressas em litografia com Chine-collé, na mesma temática.

Suzel, por meio de levantamento fotográfico, buscou locais significativos e marcos referenciais que constroem a estética das cidades. Trabalhou com a gravura a partir de repetidas impressões, “por vezes eliminando áreas do desenho com a utilização de máscaras em uma mesma matriz, por vezes acrescentando novas imagens em duas matrizes, explorando a sobreposição de uma ou várias cores” conta.

O trabalho resultante, avalia ela, é a valorização de espaços e monumentos urbanos através de uma releitura daquilo que já se encontra gravado na memória coletiva.

Fernanda participa de “Entre Matrizes” com oito gravuras, cinco litografias e três gravuras em metal. “Representam minha busca pela repetição da imagem impressa em suas diferentes aparições. Há anos trabalho com gravura e o que sempre me encanta são as formas da natureza que organicamente aparecem nas minhas gravuras em repetições diversificadas, gerando novas imagens a partir da mesma matriz”, explica ela, que é fundadora do ateliê Gravura na Tulipa, onde o quarteto se reúne semanalmente.

Memória de Chalé

Neta e filha de imigrantes judeus, a artista visual Flora Zeltzer desenvolveu um trabalho de pesquisa para saber como era a vida da comunidade judaica que se instalou em Chalé, vila no município de Quatro Irmãos, no interior do Rio Grande do Sul, no início da segunda década do século passado.

A partir de lembranças, ela investigou a presença judaica no território, incluindo seus antepassados: como construíram suas vidas, como preservaram suas tradições, como participaram ativamente da comunidade local. Ouviu outros descendentes, revisitou fotografias, documentos e bibliografias, recuperando fragmentos de histórias individuais e coletivas.

Trabalhos da mostra retratam a família tradicional, homens, mulheres, danças, moradas, religiosidade, violonista no telhado e um casamento (releitura de Marc Chagall).

A proposta é de que a exposição “Memórias de Chalé – Distrito de Quatro Irmãos, RS – Memória, Território e identidade: entre o que foi vivido e o que ainda está por vir” não se encerra no passado. “Ela procura estabelecer uma ponte com o presente e com um futuro que já começa a se desenhar. Novas linguagens, novas formas de relacionamento, as redes sociais e as tecnologias contemporâneas modificam a maneira como registramos, compartilhamos e construímos nossas memórias”, diz a artista.

30 anos

A galerista e arquiteta Regina Galbinski pontua que as duas exposições fazem parte das comemorações de 30 anos da Gravura e ambas estão em sintonia com a data, “uma pela técnica que dá nome à galeria e outra pelo foco na memória”. O conceito da campanha que assinala os 30 anos de atividade da Gravura é expresso pelo slogan “O tempo passa, a arte fica”.

Serviço 

Exposições: “Entre Matrizes – Impressões Compartilhadas” de Anico Herskovits, Miriam Tolpolar, Suzel Neubarth e Fernanda Soares; e “Memória de Chalé”, da artista visual Flora Zeltzer.

Visitação: até 3 de outubro, de segunda a sexta, das 9h30 às 18h30; sábado, das 9h30 às 13h30

Local: Gravura Galeria de Arte

Endereço: Rua Coronel Corte Real, 647, bairro Petrópolis, Porto Alegre

Entrada gratuita

Site: www.gravuragaleria.com.br

Instagram: @gravuragaleria

(51) 3333-1946, whatsapp (51) 99718-9258 ou (51) 99666-3972