MATERIA EM TRÂNSITO

Exposição coletiva de Cerâmicas

abertura: 14 de agosto de 2003 às 20 horas
de 15 de agosto a 6 de setembro

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A exposição "Matéria em Trânsito" mostra a mais recente 'produção de Ana Flores, Eduardo Vergara, Fabíola de Almeida, Fernanda Korff, Lia Gomes de Freitas, Liliana Silveira, Mercker Moreira, Rosana Doriate e Silvana Beker.

Todos eles tiveram sua formação artística no Instituto de Artes da UFRGS, continuam pesquisando e produzindo com a orientação da artista plástica Katsuko Nakano.

"O que os reúne é que todos estes artistas são artesãos de sua obra por opção: fazer com as mãos faz parte do processo de criação e reflexão. Buscam no processo de transformação da matéria utilizado na cerâmica sua poética pessoal.

Ana Flores pesquisou prédios antigos em Porto Alegre e constatou que ainda restam cinco casas com fachadas azulejadas remanescentes do século XIX. Essas casas resistem ao tempo, mas sem visibilidade, tornam-se metáforas da impermanêncía da matéria e da memória. Imprimindo o passado na cerâmica, a artista testemunha o seu presente e pretende que as casas se tornem potenciais lugares de memória.

Eduardo Vergara parte do tradicional pote, para criar novas materialidades em temperaturas altas, trabalha o movimento e superfícies de apelo tátil.

Fabíola Almeida confecciona cobras, imprimindo-lhes expressões faciais dotados de sentimentos, construindo-lhes espaços de vivência e interação.

Os trabalhos de Fernanda Korff têm como referência o corpo. A fusão da plasticidade do barro com a rigidez do aço inox, possibilita a fragmentação e os desenhos espaciais. Sua obra busca o rompimento com as noções de estaticidade e peso da escultura tradicional, buscando a leveza e novas relações espaciais.

Lia Gomes de Freitas questiona valores sociais de sua vivência. Através de um olhar critico, reflete sobre o uso do corpo e sobre os mistérios que ocultamos por trás do visível. Seu trabalho faz reflexões sobre a expressão da beleza, o culto à juventude e os estereótipos.

Liliane Silveira foi colecionadora de conchas e pratica mergulho. Em seus trabalhos deu continuidade às suas relações com o mar. Faz conchas, relacionando-as com corpos, pesquisou as ressonâncias do interior das formas.

Merker Moreira propõe uma intersecção entre o gesto do artista e a entropia a que está sujeito o material cerâmico. A forma final é resultante da intenção do autor ou das condições à que foi submetida a matéria: Umidade, gesto, movimento, secagem, calor, retração, expansão, inquietação, acomodação. A cerâmica é vista e trabalhada como congelamento em tempo/espaço da interacão entre sistemas.

Rosana Doiiate trabalha o pictórico sobre a cerâmica, criando uma interatividade de planos, que resultam em ilusão ótica e relacionamentos espaciais próprios.

Silvana Becker sintetiza o pote e seu conteúdo, construindo potes que terminam em flores. Erguendo potes-flores, quase totens, Silvana propõe a flor como elemento de entrecruzamento de diversas características do universo feminino.


Katsuko Nakano